sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

A Janela



Conheci uma janela....
Já a conhecia há muito tempo, mesmo muito.
Durante algum tempo deixei de me aperceber dela, deixei de olhar através dela.
Há pouco tempo voltei a descobri-la.
Antes de olhar por ela tudo estava a preto e branco. Quando conhecei a olhar de novo por ela tudo ganhou cor e uma cor muito bonita e brilhante.
Tudo parecia mais fácil por causa dela. Eu olhava por ela e reparava que nem tudo era mau e que valia a pena sacrificar-me por ela.
Agora a janela esta a fechar-se... não sou suficiente para poder olhar através dela, só não sei se deixei de ser suficiente ou se alguma vez o fui.
A janela mudou de novo os tons...agora estão a sépia...
Já não há cor, já não está uma paisagem bonita e brilhante, mas a janela continua lá.
Agora a janela está aberta para os seus sonhos e eu espero que para eles ela nunca se feche.

sábado, 4 de Julho de 2009

Triste...




Todos nos vamos envelhecendo…uns mais depressa do que outros. Quando estamos mais tristes, ficamos com a ideia que envelhecemos mais depressa.

Tudo à nossa volta muda todos os dias. A nossa rua parece ficar mais suja, a luz do final de tarde que nos entra em casa fica com cores diferente e a nossa vontade de fazer alguma coisa parece que vai desaparecendo.

Mas o que parece mudar mais depressa são as pessoas…. As que nos rodeiam e com quem convivemos todos os dias. Os dias e o tempo passam por elas e por vezes deixam-lhes marcas, umas mais profundas do que outras.

Essas pessoas têm medos, incerteza. Hoje gostam, amanha já não. Hoje querem de certeza, amanha não sabem se algumas vez quiseram. Hoje arriscam, amanha arrependem-se.

Hoje estou muito triste. Não estou triste da mesma forma que ficamos quando alguém querido parte. Estou triste porque há coisas que não fazem qualquer sentido.

Estou triste porque quero respirar e parece que me estão a dar socos na barriga. Estou triste porque quero beber e parecem fugir com a água. Estou triste por quero abraçar e não sei o que pensar… não quero pensar em coisas más, mas também não consigo pensar em coisas bonitas.

Hoje sinto triste e velho….



sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009



Há alturas em que queremos ver e algo não existe.
Queremos sentir e algo arrefece.
Queremos sorrir e algo toca-nos nos lábios.
Queremos segurar e algo atravessa-se no caminho.
Queremos nos lembrar e não conseguimos.
Queremos abraçar e algo prende-nos os braços atrás das costas.
Queremos sentir-nos felizes e algo está longe.
Queremos sentir-nos seguros e tiram-nos o tapete.
Queremos olhar mas a janela está fechada.

Há alturas em que temos força mas não lutamos.
Temos ideias mas não concretizamos.
Temos vontade mas não fugimos.
Temos caneta mas não escrevemos.
Temos o livro e não o abrimos.
Temos rolos e não fotografamos.
Temos luz mas está tudo escuro.
Temos cores mas fica tudo preto e branco.
Temos sono e não adormecemos.


Há alturas em que temos sonhos mas depois acordamos.

terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Mundo


O mundo que eu vejo é muito grande e desconhecido. Não sei nada dele, mesmo nada, mas também não sei se o quero experimentar.
Todos vemos o mundo através de lentes, sendo elas todas diferentes. Umas são mais coloridas, outras em tons de cinza. Algumas ampliam outras apagam.
Sou invejoso! Não quero que ninguém veja o meu mundo, ou pelos menos como eu o vejo. Não me importo de o partilhar ou dar um pouco dele, mas nunca o darei por completo.
Todos passam pelo meu mundo mas poucos ficam. Os que cá estão nunca os vou libertar, não consigo nem quero.
Afinal o meu mundo é grande, grande demais para eu o compreender.
Quero saber como se escreve o vosso mundo, como o pintam.
Quero o mundo de todos.
O meu mundo não é muito grande, mas é meu. É meu porque fui conquistado por ele.

terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Puzzle?



Um dia destes estava a passear sozinho no parque da Fundação Serralves (passeio pago, mas até acho que vale a pena).
Para me fazer companhia só levei a lomo, o leitor de mp3 e algumas ideias para arrumar na cabeça.
Essas ideias são sempre difíceis de arrumar e a minha preguiça mental não ajuda muito, mas sempre dei uma certa organização nelas.
No mp3 só ouvi praticamente Mew e um bocadinho de José Gonzaléz.
E claro, a minha lomo disparou rolo e meio capturando o nada (ou o tudo), mas isto da lomografia é mesmo assim.
Enquanto dava lá umas voltas sem mapa (o que não é uma tarefa fácil) comecei a pensar que a nossa vida (pelo menos a minha) é como um puzzle.
Nascemos, recebemos as primeiras peças. Mal ao bem as peças familiares ficam sempre, as minhas pelo menos estão mesmo bem encaixadas.
Enquanto tirava fotos e pensava no gosto que aquilo me dava, apercebi-me que tinha descoberto outra peça e não imaginam o gozo que isso me deu. Foi das melhores sensações que tive nos últimos tempos.
Estas peças não podem ser consideradas completamente “estanques”. Por vezes podemos pensar que aquela peça encaixa ali na perfeição mas…afinal de contas não é bem assim. Possivelmente, quando descobrimos isso a desilusão é bastante grande, mas vamos pelo “brightside” e imaginamos o bom que vai ser descobrir a próxima peça certa.

quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Solitude



Hoje apeteceu-me escrever sobre um tema que não é o mais alegre, mas acho que é um sentimento partilhado por todos: a solidão.
Tal como aquelas músicas mesmo tristes que temos tendência a ouvir quando estamos mais em baixo, acho que a solidão não tem de ser sentida nos momentos em que estamos mais infelizes.
Julgo que podemos ter uma família fantástica (que é o meu caso) ou ter aqueles amigos pelos quais fazíamos tudo por eles (que é igualmente o meu caso) que há momentos que temos necessidade de estar sozinhos.
Há ocasiões em que o meu feitio me irrita a mim próprio, logo, tento “poupar” os mais próximos desses momentos e aproveito para estar sozinho. Para mim sentir a solidão serve para dar valor àqueles que realmente se preocupam comigo e que se soubessem que eu estava sozinho não hesitariam vir ter comigo.
Quando estou sozinho vou andar a pé, a ouvir música, a tirar umas fotos e a ler. Vou visitar sítios que gosto muito ou então conhecer espaços nos quais nunca estive (e quando gosto, fico ansioso por os mostrar a toda a gente).
Um conceito interessante mas que sinceramente acho que só o podemos por em prática com o melhor amigo (ou então com “aquela pessoa”) é partilha de solidão. É um pouco difícil de explicar, mas vocês conhecem aquela sensação de vos apetecer estarem sozinhos e pensam “neste momento ou estava sozinho ou então estava com ele/ela”.
Eu não acredito muito em sentimentos puros, pois acaba sempre por existir um “mas” ou um “se”, mas acho que a solidão é dos mais reais, pois na minha opinião é dos que nós melhor podemos “controlar”.
Há uma música (já com uns aninhos) que demonstra muito bem isto. Dela eu lembro me sempre de uma frase: “Why don´t share our solitude? Nothing is pure anymore but solitude”.

sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

A design for life


Libraries gave us power
Then work came and made us free
What price now for a shallow piece of dignity

I wish I had a bottle
Right here in my dirty face to wear the scars
To show from where I came

We dont talk about love we only want to get drunk
And we are not allowed to spend
As we are told that this is the end

A design for life
A design for life
A design for life
A design for life

I wish I had a bottle
Right here in my pretty face to wear the scars
To show from where I came

We dont talk about love we only want to get drunk
And we are not allowed to spend
As we are told that this is the end

A design for life
A design for life
A design for life
A design for life

We dont talk about love we only want to get drunk
And we are not allowed to spend
As we are told that this is the end

A design for life
A design for life
A design for life
A design for...

A minha vida nos últimos tempos tenho vivido uma espécie de flashback muito peculiar, mas o importante é que tem sido simplesmente fabuloso (ainda não o conseguir entender muito bem, espero bem que um dia o perceba).
Assim, estava a ouvir músicas dessa altura (com 8/10 anos mais ou menos) e comecei a ouvir “A design for life” do Manic Street Precahers (já nem vale a pena eu dizer o quanto gosto desta banda).
Eu sempre gostei muito desta música mas o mais engraçado é que passado estes anos todos apercebi-me que, neste momento, identifico-me com todas as linhas desta música.
Já sentiram isso? Quando estão a ouvir uma música e parece que a fizeram de propósito para vocês? Eu acho fantástico quando isso acontece.
Honestamente, sinto-me muito feliz por gostar tanto de música e por tudo que ela me ensina todos os dias!